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- A fechar a porta a 2021 e a abrir os braços a 2022
Quase a chegar ao final deste ano, não podia deixar de pensar sobre o tanto que vivi estes últimos 12 meses. A Pandemia, já sobejamente falada, deixa em todos marcas, vestígios, cicatrizes, feridas, muitas ainda por curar, na pele e na Alma - medos, desgostos, perdas, surpresas amargas, que tentamos compreender e mesmo aceitar, com a nossa finita condição de meros mortais, mas também de Seres em constante Evolução e Aprendizagem. Com 1 ano e meio de vivência e de chão no Baixo-Alentejo interior, hoje, ao fechar os olhos por breves instantes e ao ouvir o coração a falar sobre o que sente e o que aprendeu durante esta etapa, quer-me parecer que terá sido até hoje o ano de maior mudança na minha ainda jovem vida. Desde abrir um negócio de Alojamento Local em meio-rural em plena pandemia, de avançar aos soluços, entre encerrar, voltar a abrir, redefinir estratégias e objetivos a cada semana, inventar soluções para pagar contas, viver um Verão ainda sem a dita Piscina/Tanque, porque o dito não cai do céu e porque tudo fazemos para evitar dívidas…Deixar de ter um salário desde há já vários anos, para desenvolver um negócio pessoal, ainda sem ganhos pessoais, investir o que se tem numa região que queres ver crescer, perceber que tens que deixar a tua vida antiga toda para trás e começar de novo… Os recomeços são duros, doem, machucam o coração e deixam muitas vezes as mãos vazias daquilo que tinhas por garantido e que descobres não ser para ti. O passado já não me pertence, aprendo a caminhar sozinha depois de muitos anos acompanhada, caio, levanto-me, falo comigo própria, com os meus gatos, com as Árvores e os Pássaros aqui no Monte, choro, canto, grito coisas sem sentido, mas rio também de mim própria e surpreendo-me pela minha Coragem de conseguir, ainda assim, de avançar aos bocadinhos, sim ainda de bolsos vazios, mas de coração cheio, de Gratidão. Uma grande e querida Amiga minha, diz-me que sou uma “Guerreira”, e eu quero acreditar que sim, que tenho 46 anos e que acredito que todos nós podemos mudar e caminhar mais em sintonia com a nossa Missão, quando sentirmos que é tempo, de partir em direção, a nós próprios. Ninguém diz que é fácil, queremos muitas vezes fechar a porta e até desistir, porque isto de viver no interior de Portugal, é romântico, é bonito, mas isso, é uma pequena parte. Os pequenos empresários, têm passado por um caminho muito acidentado, particularmente estes últimos quase 2 anos. Muitos fecharam a porta e outros, tiveram mesmo que se reinventar. Hoje acredito que não vale apena fazer grandes planos, nem criar muitas expectativas, o que tenho agora e o momento presente, será com toda a certeza muito diferente daqui a alguns meses… O mais importante é mesmo valorizarmos as pequenas conquistas que vamos realizando, os momentos, as pessoas que acreditam em nós e nos acarinham e puxam por nós, as coisas que nos deixam felizes e jamais deixar de acreditar e de visualizar os nossos sonhos… No espaço de mais de 1 ano, recebi e falei com pessoas extraordinárias aqui no Monte, muitas delas tendo ocupado um lugar no meu coração, preparei Pequenos Almoços, Jantares ao Luar, Ceias, Almoços com Hóspedes que se tornaram Amigos, experimentei a Gastronomia Coreana, fiz e desfiz camas, limpei casas de alto a baixo, fiz dezenas e dezenas de máquinas e estendais de roupa, decorei espaços vazios, recuperei mobílias, limpei mato e erva, desburriquei Oliveiras, cortei lenha, transportei caliços e pedras, preguei quadros e placas, pintei cadeiras, plantei novas árvores e arbustos, apanhei legumes, batatas, cebolas, azeitona, fiz Formação On-Line, fiz de Pasteleira, Contabilista, Sales&Marketing Manager, Dir.Compras, Manutenção, Motorista, concluí o I Nível de um novo Idioma, “desenferrujei” o meu Francês, conheci e degustei novos Vinhos de Produtores únicos nesta região, sentei-me muita vezes a apreciar o pôr do sol, as estrelas deste céu Alentejano, chorei sozinha, chorei e ri com os Amigos do peito, reguei horas a fio com headphones a ouvir K-POP e a dançar, apanhei várias “molhas” nas trovoadas de Verão, descobri uma nova Paixão - pela Música e Séries Coreanos e alguns Países Asiáticos. Sim, fui também verdadeiramente feliz neste ano que passou. E, percebo, que posso, consigo e quero continuar a aprender, todos os dias da minha vida, quero também conhecer o Mundo para além deste meu Cantinho abençoado. O Caminho é para continuar, a desbravar terreno, a trabalhar, a desenvolver novos projectos, porque tenho Saúde para tal, Graças a Deus, a conhecer pessoas que me falem com coração e ao coração, a acreditar nesta região que me acolheu, a partilhar momentos bonitos com queridos Amigos e Hóspedes, a colaborar através dos que trabalham com a Burrico D´Orada e até a pensar que o Aeroporto de Beja e a Ferrovia serão um dia uma realidade e uma vantagem para o desenvolvimento deste interior, que tanto precisa de mais envolvimento de todos e de menos política, menos interesses egoístas e menos “quintinhas”. Desejo a todos um Ano de 2022 pleno de coisas POSITIVAS: Caminhar com um Sorriso no Coração e no Olhar, Acreditar nos nossos Sonhos, Sermos mais Unidos na Partilha, na Sinergia, na Transparência, Mais Autênticos nos Gestos, nas Palavras, na Amizade, no Amor. Porque afinal, Ninguém caminha Sozinho e a Vida é AGORA. Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro, amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver. Dalai Lama 마음이 말하는 행복 Felicidade é-Happiness is https://www.youtube.com/watch?v=3TtmRm7Z1CU Bem hajam, Um beijinho, Rita Valadas #burricodorada #rtvaladas
- A celebrar 1 ano no Monte , Baixo-Alentejo
Hoje faz 1 ano que deixei a minha antiga vida para trás e mudei para o Baixo-Alentejo. Depois de tantos meses a viver uma nova etapa, por entre novas aprendizagens, ritmos diferentes, na ausência de rotinas e de antigos hábitos, redescobri outros Caminhos, desejos e vontades de realizar e criar outros desafios que me levem a mim mesma. Não foi fácil, as mudanças nunca o são, talvez porque sem os amargos de boca, sem as lágrimas a inundar os olhos e o coração, sem a solidão física, jamais nos descubrimos verdadeiramente. Depois de quase 5 anos a preparar este pedacinho de terra onde hoje vivo, onde recebo os que nos visitam e que escolhem o sossego, a autenticidade, as cores e os cheiros deste Baixo-Alentejo, percebo que tenho pela frente toda uma nova jornada para ir construindo. Porque a vida não é feita de pressas, de ansiedades loucas, de ambições desmedidas, antes de momentos, de vontades equacionadas e que querem sobretudo, ser felizes. Posso dizer que recomecei do 0. Ainda penso muitas vezes de onde vem a minha força e coragem para viver uma vida tão diferente. Depois de caminhar tantos anos ao lado de alguém, vivo neste momento um “One Woman Show”, com as nossas Casas de Campo do Burrico D´Orada e no nosso Monte, ciente que não caminhamos jamais sozinhos e que a par da ajuda preciosa dos meus pais, encontrei nesta terra alguns Anjos que me ajudam e com os quais partilho a caminhada. Bem hajam a todos eles – se a vida vale a pena, também sobretudo será pela comunhão que fazemos com tantos que encontramos no caminho... Percebi que estou num local único, que esta região tem tanto para dar e descobrir, que muitas vezes tento perceber qual será o melhor dela própria. Se os Vinhos, os Azeites, os Queijos DOP de Serpa e da região, o Fumeiro & Carne de Porco Preto, as Ervas Aromáticas, o Sol, a brisa quente do Verão, o azul do Céu, os Invernos com o cheiro do carvão e da Lenha de Azinho, o Rio Guadiana, o Grande Lago de Alqueva, os Doces, os pratos de Borrego, os Cozidos de Grão, as Migas, os Figos, as Laranjas, o Tomate, a Melancia, o Melão, o Mel, os Licores, o Cante, as suas Gentes...E percebo que tudo isto também me pertence, o meu, o nosso Baixo-Alentejo. E tantos que aqui trabalham e querem ver também o seu sonho acontecer, porque é desta terra que queremos que brote a Felicidade e as sementes de um Futuro, tantas vezes adiado. É bom saber que tenho Parceiros nesta Região que vivem e desenvolvem a sua atividade com profissionalismo e sinergia com os demais e, sem eles o nosso Monte não seria a mesma coisa... Todos os que aqui vêm são sempre bem vindos e desejo sempre que quando regressem tenham tido oportunidade de conhecer melhor este canto do Alentejo – procuro que conheçam, que descubram, que degustem o melhor desta região. Seja através de um passeio de barco com a Alquevatours, uma pescaria com um Profissional, o Pascal, um passeio a cavalo com a Equimoura, uma Massagem Relaxante com a VipRelax depois de um dia em cheio, uma sessão de SUP ou um tour de canoagem ao luar com a Alentejobreak, ou um Jeep-Safari a partir do Museu do Medronho... Haja tempo e vontade para fazer tanta coisa boa! E claro, há que provar tb o fumeiro maravilhoso, por exemplo, na Casa Cavalheiro em Moura, casa com 100 anos e de confecção própria, degustar os vinhos maravilhosos que podem ser encontrados desde a Granja-Amareleja, Moura, Serpa, Vidigueira, Vila de Frades, Cuba, o que não faltam são produtores e Adegas de referência e de elevada qualidade. Recomendo vivamente uma visita a Vila de Frades, Vila Alva & Cuba – à Cella Vineria Antiqua (Honrado Vineyards), ou à Adega do Mestre Daniel (Talhas XXVI), ou à Gerações da Talha, à Quinta da Pigarça e mesmo à Herdade Rocim para experimentar os fantásticos Vinhos da Talha! E como se não bastasse, se realmente é apreciador de vinhos, guardem mais uns dias para visitar a Quinta do Paral, a Herdade Grande, a Quinta do Quetzal, os Margaça, a Casa Clara com os seus verdadeiros Vinhos de Pias, a Herdade da Lisboa, a Herdade dos Cotéis, a Marel na Amareleja e provar também os Vinhos da Herdade dos Machados, Encostas de Serpa, Paço do Conde e da emblemática e muito querida Adega Cooperativa da Vidigueira. Não se acabam as sugestões e, se eu já era apaixonada por vinhos Portugueses, fico sempre surpreendida, por encontrar aqui néctares únicos, a experimentar! E o mais fantástico é que a maior parte destes produtores também produz azeite, por isso há que degustar também o ouro líquido desta terra, sempre com a profunda convicção que este Alentejo é uma dádiva dos Céus, que devemos divulgar e dar a conhecer a todos os de cá e os de lá de fora! Para além de conhecer e experimentar as delícias desta terra, aprendi a viver com vagar, aqui não há pressas, aqui o Tempo existe, persiste e é disfrutado de outra forma. Perguntam se não sinto falta do bulício de Lisboa, dos Centros Comerciais, dos Outlets, do frenesim,...Não, acho que vivo para além dessa realidade, posso ir de visita de vez em quando, mas prefiro este ritmo e esta paz. Habituei-me a saborear os pequenos momentos – a brisa quente do Verão, o aroma quente das figueiras, a terra vermelha, os animais, o canto dos grilos, o aroma do café acabado de fazer ao fim de semana, o canto dos pássaros, os dias de chuva, o cheiro da lenha de azinho nas noites de inverno, os sorrisos dos que me aconchegam, o Pôr do Sol, o meu momento mágico, que muitas vezes me convida ao silêncio, a uma pausa, para me re-conectar com o Universo que nos rodeia, com o Céu, com Deus, comigo própria. Vou aprendendo hábitos novos, de horticultura, jardinagem, lavoura, de pequenos momentos, de cores, de cheiros, de novas vontades de ser mais inteira, porque o que fomos ontem, já não somos hoje. Sendo que a cada dia, me procuro aproximar mais de mim própria, porque sou hoje mais eu, do que ontem. Quero aprender ainda mais todos os dias, caminhar neste Baixo-Alentejo com a certeza que neste momento é o meu lugar e que o futuro não me pertence, coloco-o nas mãos d`Aquele que aqui me trouxe. Agradeço a todos os que me têm acarinhado e dado força para não desistir, para continuar todos os dias com um sorriso maior no coração. Obrigada Paizito, Mãezita, Maria, Bia, Manuel, Elsa, Felizarda, Gina, Manuel Luís, Gaby, pelo aconchego, os sorrisos, a ternura, o apoio, a coragem, a amizade, o Amor – porque não caminho sozinha, porque hoje sou mais inteira e estou mais perto da minha essência e, sou mais FELIZ. Bem hajam, Rita.
- O Verão da minha Infância no Monte
11 de Maio 2021 O dia ainda à pouco amanhecera, mas já não conseguia dormir. As férias da Escola já haviam começado há quase 2 meses, mas o calor de Agosto, lembrava-me que era tempo de ir para o Monte dos Avós. Havia chegado na passada semana no comboio com o Nuno, tinha deixado para trás o Vilar da Lapa e depois de 3 semanas, o Avô João tinha-nos levado à Estação da Barca da Amieira – O farnel na cesta que a Avó Jesus tinha preparado para a Viagem...Bolo Escuro, Broinhas e a garrafa da Limonada aninhada na beira do saco para beber na viagem. Ouvi o apito do comboio, a acenar lá de longe, era hora de seguir para Lisboa, o pai ou o tio Zé estariam à nossa espera em Santa Apolónia. Para trás ficavam semanas de caminhadas na serra, de construção de tendas de Indios, de jogadas de cartas pela tarde fora para fugir da sesta e do calor, de leituras de livros d` Os Cinco, de banhos de tanque na aldeia e dos mimos da Avó Jesus e dos primos. As férias não tinham fim naquele tempo, e o saco estava já preparado outra vez. O pai ía levar-me à Casal Ribeiro nesse Domingo à tarde, levava o lanchinho que a Mãe tinha preparado e já sabia que o Sr.Reboxo, o motorista de sempre, me aguardava na Camioneta que seguia para Moura. Com os meus 9 anos, já não tinha medo, era uma aventura estas viagens, adorava passar as férias entre a Beira-Baixa e o Baixo-Alentejo. E agora, era hora de seguir rumo a Sul. Depois de 3 horas de caminho, com paragem em Évora, chegava finalmente ao destino. A Tia Leonor já estava à minha espera com o Tio Jorge, e eu prontamente sabia que iria ainda ficar uns dias na vila, disfrutar da companhia das primas e dos banhos na Piscina de Moura. Os Avós já tinham telefonado, queriam ir buscar-me na carrinha com a Mula, mas a Tia insistia: _” Oh, mãe, ela ainda agora aqui chegou, deixem-na ficar uns dias!” E era, cada um “guerreava” a dizer o que sentia. Eu ria daquilo tudo, acabava sempre por ficar umas noites em Moura, o dia passado na Piscina ou no fresco da casa dos tios e à noite, lá íamos nós dar umas voltinhas até ao Jardim e na Praça. O Verão à noite no Alentejo é mesmo na rua. Água fresca, gelados e até tarde, estava calor demais para dormir. A Tia Leonor fazia sempre os pratos que eu gostava, o ensopado de borrego, o borrego com ervilhas, o bolo de requeijão, eram só mimos, que eu adorava! No final da semana, já sabia que era hora de ir para o Monte. O Avô Burrico chegava com a Avó nessa manhã a buscar-me. A Tia mandava sempre o saco com os “Oitos” e o Queijo de Ovelha Curado que eu tanto gostava. A Mula tinha ficado na Estalagem a comer o feno, não muito longe da casa dos Tios, perto da Casa Cavalheiro, os Avós aproveitavam para fazer umas pequenas compras – farinha para os pintos, cevada para a Égua e para a criação , umas Linguiças e Laranjada, que eu só bebia quando cá vinha de visita. É curiosos como nos lembramos dos sabores e cheiros da nossa infância. Até dos Avós, é como uma colónia eterna que fica entranhada na Alma, sempre inundando os olhos de vez a vez, quando dos vem ao pensamento e ao coração... E a meio da manhã lá íamos nós, na carrinha de madeira azul e vermelha dos Avós. Era uma emoção, toda eu vibrava de fazer o caminho para o Monte, ainda que levasse quase 2h30 a trote, no compasso pachorrento, mas cadenceado da Mula, que tão fielmente nos levava de volta a casa. A Avó punha-me sempre um lenço na cabeça, por causa do Sol, como ela, e o Avô com o seu chapéu, com um lenço por dentro por causa das moscas e do calor, o colete e o relógio de Cordão no bolsinho do mesmo, mangas de camisa arregaçada, ía assobiando e cantando todo o caminho, sem parar. Eu perguntava se a Mula não estaria já cansada, ao que o meu Avô respodia a sorrir : “_ Não neta, ela gosta é de passear!” E eu cantava com ele, olhava os campos em redor, naquela altura apenas juncados de Olival antigo, Meloal, Figueiras e Trigo. No momento da chegada, não parava de falar e de correr de um lado para o outro, era tempo de espreitar as galinhas, se o Avô tinha feito algumas coisa de novo no Monte, se a Avó tinha mudado as camas, até porque nem sempre dormia no mesmo quarto na caminha de ferro perto da deles, também às vezes dormia no divã do quartinho de costura, mas sempre feliz de estar outra vez naquele pedacinho de chão. Os dias começava muito cedo, havia que aproveitar as manhãs, para alimentar os perús, as galinhas, as fracas, os borregos, a Mula, os pintos e os coelhos. A “Vó do Monte”, como sempre lhe chamei, varria as ruas do Monte das forricas dos animais e eu corria a pôr água nos bebedouros, até porque a partir das 12h já fazia muito calor. Não havia água corrente e muitas vezes quando íamos buscá-la ao poço, perto da ribeira, a Vó levava roupa para lavar. Ainda não existia barragem e, naquele tempo o rio corria ainda mais livre e puro. Eu chapinhava e tentava apanhar rãs, enquanto a Vó esfregava a roupa nas pedras com o Sabão Azul e Branco, tudo ficava cheiroso e fresco, até eu 😉. O Sol já ía alto, na véspera eu e a Avó tínhamos depenado um frango, que era agora o almoço. Ela fritiava-o aos bocadinhos no azeite e na banha que ela mesmo tinha preparado no inverno com a matança do porco, temperava com alho, sal, louro e mais nada. Comia-se com uma salada e pão que ela havia amassado no Sábado anterior. No Monte naquela altura não havia horta, apenas umas leiras pequenas, que os Avós chamavam de crinchoso. A Água era ontem e hoje um bem muito precioso, mas naqueles tempos não havia cultivo intensivo, a terra era cultivada com respeito, de acordo com a estação do ano e recordo-me que o Avô respeitava o pousio da terra – cultivava culturas de Época: O Melão, as Ervilhas, as Favas, o Grão, a Azeitona, os Figos e alguns Tomates, Pimentos, Pepinos e Coentros. Matava-se o Porco quase sempre no início de Fevereiro, curava-se as carnes e o Toucinho e tínhamos linguíças, chouriças de sangue, entremeada, papada para o ano todo na salgadeira. Assim era, não havia fartura, preparava-se o que a terra dava e no Verão, como não havia frigorífico, nem congelador, o que se comia era preparado no próprio dia. Às vezes um caldo de Peixe do rio com poejos e hortelã da ribeira e umas sopas de tomate com bacalhau com Ovo, que a Avó comprava na Mercearia no Pedrogão, ou em Moura. As tardes eram quentes e longas, assim como as noites. Depois de almoço dormia-se a sesta, só se ouviam as moscas e não “bulia” uma folha, naqueles meses de Agosto, posso dizer que o calor era muito mais pesado que agora, que vivo aqui. Ao final da tarde era típico ver a Vó cozer à máquina na sua máquina a pedal, enquanto o Avô cantava as suas modinhas. Às vezes montava-se a máquina de moer o Pimento e lá dava eu à manivela, para preparar a Massa de Pimentão que a Vó guardava em grandes frascos de vidro. Ao anoitecer, dava-se comer aos Animais e quando o sol já se tinha posto e se ouviam os grilos a cantar, acendiam-se os candeeiros a petróleo. Naquele tempo não havia melgas, apenas um calor desmesurado, que nos fazia ficar até bem tarde a olhar para um céu infinito de estrelas que cobria o Monte, e deixarmo-nos embalar pelo cantar dos grilos e das cantigas do Avô Burrico, ali, na soleira da porta, estirados em cima das mantas, enquanto esperávamos a aurora clarear de novo e abrir a janela a um novo dia. Nos Verões no Monte da minha infância, havia sempre tempo...Tempo para olhar os campos dourados, tempo para sentir a brisa que acariciava os ramos das oliveiras, tempo para saborear a água fresca da bilha de barro, que o Avô acabara de encher com a Água do poço, tempo para sentir nas mãos a massa do pão e das popias, no alguidar de barro, onde cabiam duas de mim, tempo para conversar nas horas infinitas das noites de estio, tempo para ver o Avô a fazer a barba no meio da rua do monte em ceroulas, tempo para lavar a louça no alguidar cheio de frescura em frente à porta do Monte, tempo para abrir um Melão doce e lambuzar os dedos enquanto avô cantava, tempo para abraçar os meus Avós...Que agora me abençoam desde o alto do Céu e me aconchegam por entre estes novos Verões, aqui no Monte, onde esperamos por quem nos visita, sempre com Alma e coração. Bem hajam, Rita Valadas #burricodorada#rtvaladas#alentejo#portugal#visitalentejo
- A Páscoa da minha Infância no Monte
Monte do Carvalhal, 31 de Março 2021 Parece que foi ontem, que a Primavera sorria em tempo de Páscoa aqui no Monte, com os meus Avós António Burrico e a Avó Maria... O canto dos pássaros, os campos rasos de água, o cheiro das flores que cobriam a terra verde em redor, com bordados amarelos, roxos, brancos e o vermelho sarapintado por entre a planície, das papoilas a dançar na brisa da tarde. O relógio azul tocava cedo, o avô trazia-o sempre religiosamente do parapeito da lareira para o quarto e dava-lhe corda, para o lembrar pelas 06h00 que era tempo da lida. Por vezes eu acordava com o som dos galhinhos secos de oliveira que ele ia partindo para acender o lume pela manhã. Ainda tenho o cheiro dele, tão familiar, tão presente na memória da Alma. A avó do Monte, dizia para eu ficar mais um bocadinho, que ainda era cedo e que fazia frio, mas eu enfiava as galochas por cima do pijama e corria atrás dela, já o Avô tinha ido dar de comer à Mula. Era tempo de encher a panela de ferro com água, que para tudo servia aqui em casa – fazer a barba do Avô, encher a bacia para lavar a cara e para o almoço. Não havia tempo a perder de manhã, dar de comer aos pintos, aos patos, às galinhas, às fracas. Enchia-se as bacias de esmalte de cevada para elas, que já esperavam. E eu, contente que estava de as ir abrir com a Avó e de escancarar a porta da capoeira e abrir alas para os bichos se espalharem pelas ruas do monte, felizes que estavam de andar à solta...Mas a melhor parte ainda estava por chegar. A avó enchia garrafas de vidro com a farinha amarela da lata e a água quente da panela, agitava, punha a tetina e dizia-me:”_ Leva esta para dares ao borreguinho.” E lá ía eu, com elas na mão, feliz e a cantar. Abria a porta da “malhada” onde estavam os borregos, e lá punha 1 ou 2 ao colo para lhes dar a “Xuxa”. E eles já sabiam, com o rabito a dar-a-dar, e a mamar o leite da manhã. Recordações tão bonitas do cheiro doce do nariz molhado dos borreguitos, da ternura de os abraçar - sinto tantas, tantas saudades... Depois lá íamos prender os borregos adultos para comerem erva fresca. A avó laçava as pernas dos animais e prendia a corda a um maço que cravava na terra e, quantas vezes não fiquei atascada até aos joelhos de ir a correr atrás dela... Numa dessas manhãs era esperado o senhor que ía tosquiar as ovelhas, com o seu fato de couro e uma Tesoura de ferro, grande demais para as minhas mãos. E ficava hipnotizada a ver o trabalho tão minucioso, de mãos já calejadas de anos de Tosquia. Pensava que ao tirar a Lã, as ovelhas ficariam despidas das suas roupitas quentes, mas cedo percebi, que era mesmo necessário. Eram dias bonitos, aqueles passados em muitas Primaveras no Monte...O Avô perguntava se queria ir com ele buscar água ao Poço, perto da Ribeira, ninguém dizia rio Guadiana, era mesmo Ribeira, vá se lá saber...E lá íamos nós, no carro da Água, um bidon em cima da carroça, um funil de esmalte enorme, baldes e cordas, assim se fazia a coleta da água para encher a Talha debaixo da Oliveira em frente à casa e as 2 grandes bilhas de barro que nos davam de beber com o cocharro de cortiça, ainda talhado pelo meu Bisavô Luís Pastor, que não cheguei a conhecer. Água, tão vital , e ainda mais naquele tempo, onde nada se cultivava, que não fosse de sequeiro. O Avô semeava Melão, Ervilhas, Favas, Cevada, Trigo, Grão e, perto de casa, umas pequenas leiras de Alfaces, Coentros, Tomate, Pimento e pouco mais, já que não havia água com fartura para regar. Banhos, só ao Domingo e no resto da semana, uma grande Bacia fazia o jeito. Eram tempos diferentes, mas que me ensinaram também a importância das pequenas coisas. A Avó amassava o Pão para a semana (nunca mais comi pão como o dela, amassado num Alguidar enorme de barro), as Popias, os bolos “Passarinho no Ninho” (que ajeitava com uma tesoura para fazer as penas dos mesmos), os Pândegos para fritar, os Bolos Folhados e, até o Pão-de-Ló que ela fazia numa forma no fogão, mais ainda na Páscoa. Normalmente, quando vínhamos cá, o almoço do Domingo de Aleluia era em casa da Tia Leonor e do Tio Jorge em Moura, com os meus pais, Manuel & Mina, as primas Ana e Sandra. O Avô Burrico adorava esta época! Mesa farta e cheia de histórias e conversa...E que mesa. Não faltava o Borrego Assado ou o Ensopado, o Queijo de Ovelha, a Linguiça, os Torresmos, a banha de cor e, a tia tinha sempre Bolo de Requeijão, Manjar de Amêndoa e Porquinho Doce. E claro, os caramelos de Espanha com pinhão para o Avô, que ele adorava! Nos tempos que vivemos, com ausência dos Avós e na impossibilidade de estarmos juntos, recordo com saudade momentos que partilhei e que guardo no coração. Talvez não possamos repeti-los, mas perpetuar os mesmos, na recordação e na confeção de alguns dos pratos que eram então elaborados, para que nunca percamos as Tradições, que nos ligam e que nos prendem ao Amor que trazemos em nós. Tive o privilégio de ter vivido esta época no Alentejo e na Beira-Baixa durante muitos anos, vivi também uma infância verdadeiramente feliz, jamais esqueço os meus Avós e, agradeço de coração o que deles recebi. Fazem-me falta, sim, gostava de os poder abraçar, mas se a Páscoa é um Renascer para a vida, então eles renascem em mim sempre que ela acontece e seguem comigo no coração, hoje e sempre. Votos de uma Santa e Feliz Páscoa para todos, aqui do Monte, onde hoje vivo, na que era a Casa dos Avós, entre Moura e a Barragem do Pedrogão e, onde tenho a felicidade de receber os nossos Hóspedes na Casa das Oliveiras, Casa da Mina e Casa da Rita, no nosso e também vosso, pedacinho do Céu. Esperamos por vós e acolhemos os que nos visitam, de Alma e Coração. Bem hajam. Rita, Burrico D´Orada #burricodorada#rtvaladas#alentejo#Páscoa
- O S.VALENTIM OU O AMOR SEM DATA...
Todos os anos nos lembram a data de S.Valentim e a necessidade de gastar para celebrar uma data, que embora importante para muitos, não necessitaria de ser lembrada, pelo menos àqueles que fazem do Amor, algo para além de presentes de ocasião, rosas, cartões e vouchers de fins de semana. Talvez não devesse dizer isto, a gerir um Alojamento em contexto rural, os Vouchers até davam jeito, ou as ditas reservas para esta data, agora que há já largos meses, eu, tal como muitos colegas de profissão, temos as casas sem vivalma e as janelas sempre abertas, para que a luz não deixe de entrar em espaços teimosamente vazios. Mas não podia deixar de escrever umas palavras...Em tempos tão estranhos, adversos e difíceis, em que muitos de nós permanecem 95% do seu tempo confinados com os que mais amam, dia após dia, no mesmo espaço, aquele que podia ser uma vivência pacífica e serena, torna-se muitas vezes uma “prisão”, uma obrigação de gestos, em que acumulamos stress e ansiedades diárias, e em que a tarefa de gerir um aglomerado familiar de adolescentes, crianças, bebés e companheiros, companheiras de vida, se torna algo demasiado exigente e que noz faz fugir para dentro de nós. Ainda assim...o Amor... Amor, palavra, gesto, exercício, consciência plena ou ausência da mesma, promessa de vida, partilha de rotinas, cedência de espaços e caminhos, cumplicidade, colo, abraço, beijo, carícia, intimidade, complementaridade, dádiva sem preço e medida, entreajuda, crescimento mútuo, aprendizado, porto de abrigo, porto de chegada, estrada, presente, caminho, certeza, 1 em vez de 2, Casa. Estamos em falta com o Amor, nestes dias em que gritamos por dentro, em que nos invade a tristeza do desemprego, da fome, do desespero, da impaciência, da falta de chão, de teto, de aconchego, de certezas de futuro. Fecharam-se as portas, cobriram-se as janelas, rolam as lágrimas que inundam os desertos diários de ausências de afagos e de palavras de açúcar. Mas não te vás Amor, fica, vou deixar as janelas abertas de par a par, vou parar, abrir os olhos, sorrir para ti, abraçar-te uma e outra vez e sussurra-te ao ouvido que unidos venceremos todas as dores. Vamos, anda viver mais esta vida, abracemo-nos mais, beijemo-nos mais, como quem morde uma maçã pela primeira vez, sorvamos os dias juntos, com mais sede, com mais entrega. Fica Amor, todos os dias te alimentarei de beijos, de promessas de Esperança e Aconchego, Diálogo, Paixão, Carinho. Juntos vamos quebrar as rotinas que nos matam, invadir novos lugares bonitos no coração, romper as madrugadas com entrega plena, no nosso abraço infinito. Não te quero apenas no S.Valentim, quero-te inteiro Amor, todos os dias da minha vida. Até quando me sinto feia, vazia, desesperada, irritada, estúpida, louca, pequenina dentro das minhas paredes, até quando for velhinha...Fica Amor, prometo celebrar-te todos os dias da minha vida, porque tu és a minha razão de ser, de viver, de caminhar de mãos dadas contigo nesta Estrada, sem medo e a amar-te ontem, hoje e amanhã. Celebra o Amor, ama muito, muito e di-lo, sempre: “_Amo-te, Amor.” Porque o S.Valentim, é todos os dias. Com Amor, Rita #rtvaladas#burricodorada#amor#amar#vida#saovalentim
- Tempo de Advento - Natal e Ano Novo no Baixo-Alentejo
Monte do Carvalhal, 1 de Dezembro 2020 Monte do Carvalhal, 1 de Dezembro 2020 É chegada a época mais bonita do ano, pelo menos para mim. Mas em tempos de tantas incertezas e de frágeis promessas, procuramos, cada um de nós viver este tempo com a certeza de que a Saúde é porém, o maior bem que podemos receber e conservar. Não faz sentido falar de ofertas, nem de prendas, quando os tempos que atravessamos, nos pedem também alguma contenção no meio de tantas restrições e confinamentos. Pessoalmente, não vivo o Natal com o propósito de adquirir “resmas” de ofertas e de presentes para toda a gente. Não me cabe a mim julgar a forma como cada um vive esta época, apenas peço que tentemos pelo menos adquirir as lembranças natalícias no Comércio Local, procurando sobretudo o que é Nacional, afinal, Feito em Portugal, é Bom, é Português. Sugiro que procurem por isso este ano, fugir ao que sempre adquirem, os perfumes, os bombons, os Telemóveis, as Consolas, os Vales de Roupa da Loja A, B ou C, e tentem procurar Produtores Locais que tentam vender os seus produtos em diversas Lojas e Espaços Próprios nas vossas cidades, vilas e mesmo on-line. E porque não, se for possível, darem um salto a algumas Vilas ou Cidades Alentejanas e descobrir Sabores, Artigos feitos de forma Artesanal e ajudar os pequenos Empresários e Artesãos? E porque não, tentar levar o seu próprio e pequeno agregado familiar este ano e descobrir um Natal ou uns dias de férias fora da sua cidade? É até possível passar a sua Consoada em inúmeros Alojamentos Locais, Turismos Rurais e Hotéis Rurais no nosso Baixo-Alentejo. Muitos estão já a divulgar os seus espaços, tal como nós, estejam atentos! Já pensaram até em adquirir os vossos Doces, Fumeiro, Queijos, Azeites, Vinhos & Espirituosos perto do Alojamento que escolherem?! Bem sei, que nem todos o poderão fazer, mas os que puderem ajudar os pequenos Empresários no interior, a todos agradecemos de coração. Descobri com a minha mudança para o Baixo-Alentejo este ano, inúmeros locais e produtos de qualidade irrepreensível e que podem facilmente adquirir em Serpa, Moura, Vidigueira, Vila de Frades, Cuba, Beja. Estou a lembrar-me por exemplo da Casa Cavalheiro em Moura, que produzem os seus próprios Enchidos – as Linguíças, o Catalão, a Chouriça de Carne, os Torresmos, a Papada, a Entremeada, o Toucinho, o Presunto, a Paleta, deliciosos! Já para não falar dos Queijos fantásticos (“DOP SERPA” de Ovelha) da Eira da Vila, Tradiserpa, o Requeijão 100Histórias, em Serpa , ou das Queijarias Pacheco na Cuba, Almocreva ou Alcino em Beja, muitos deles até já enviam para as vossas casas, é só procurar saber! E pode sempre adquirir o nosso bom Pão Alentejano em inúmeras Padarias, nós até o fornecemos diariamente aos nossos Clientes, até no dia 25 ou 1 de Janeiro😉 e, aconselhamos alguns dos locais onde o Pão ainda é “Pão”. E como não só de Pão vive o homem, em Terra de Azeite e Vinho, como a nossa, mal seria se não deixasse algumas boas referências a adquirir com certeza e, até visitar quando for possível – O Azeite DOP de Moura, os Azeites da Vidigueira, Herdade dos Cotéis, Quinta N.Sra. das Neves, mas também os Biológicos da zona de Serpa, como Olival da Risca, e o meu preferido Herdade da Mingorra e o nosso, Burrico, este apenas para consumo da casa, por agora 😉. E então os doces, perguntam vocês?! Pois, sem eles, o Natal não seria o mesmo...A par de procurar dar a conhecer aos nossos Clientes, o que é Local e genuíno nos nossos Pequenos Almoços, eu própria procuro descobrir e provar alguns dos doces na região, alguns que até sejam muito parecidos com os que a minha Avó do Monte fazia e até agora, poucas desilusões tenho tido, ou seja, as minhas papilas gustativas não têm saído descontentes de cada prova efetuada... Desde Popias, a Oitos, a Borrachos, a Pastelinhos de Gila, a Bolos Folhados e Folhadinhos, a Esses de Azeite, a Bolos da Amassadura, a Costas, Popias Caiadas, Tartes de Amêndoa, a Fogaças, Azevias, venham daí a experimentar os sabores deste cantinho do Alentejo, seja em Moura, em Brinches, Pedrogão do Alentejo, até na Casa Paixão, em Serpa, famosa pelas suas Queijadas, descobrimos Bolo Rei e Rainha - como no antigo e famoso Luís da Rocha (conhecido igualmente pelo seu Porquinho Doce, as suas Trouxas de Ovos, Queijadas de Amêndoa e Empadas) em Beja ou, os maravilhosos Doces Conventuais nas Maltesinhas e até Bombons & Chocolates Artesanais na Mestre Cacau e, sabores caseiros na ArtPão em Beja (para mim o melhor Pão e a melhor Tarte de Amêndoa). E se é Vegetariano, tem opções de Salgados e Doces nos Sabores do Campo, também em Beja. Vêm, assim até podem até encomendar e saborear na vossa Consoada, estes sabores típicos, caseiros e sim, autênticos, isso vos garanto. Muitos outos Produtores existem que não mencionei, podem encontrar muitos dos seus produtos também à venda em pequenas lojas de bairro ou espaços como o Intermarché, em Moura, Serpa & Beja, e muitos de excelente qualidade, seja de Doçaria, Padaria, Fumeiro, Carnes de Porco Preto, Queijos Curados, Amanteigados & Frescos, Azeites e Vinhos, eu própria adquiro alguns. E o Vinho, perguntam vocês?! Pois, como Enófila, e amante da descoberta de novos Néctares, tanto Vinhos como Aguardentes, Licorosos, Espumantes, o Alentejo já por si é uma Região tão rica em Aromas, e também por isso construímos Tours Vínicos Privados a partir de Évora e Beja, tentamos dar a conhecer a todos os que nos visitam esta região vitivinícola, única. Perto do Monte, temos fantásticos Enoturismos, Adegas de Produtores que vale a pena conhecer, degustar e adquirir não só para a Ceia de Natal, mas para ir descobrindo sempre que quiser. Perguntam qual aconselho, mas apenas posso dizer, que, se vierem, vale a pena tirar pelo menos 2 dias para conhecer tantos tesouros: Granja Amareleja, Adega Marel, Monte da Capela, Cortes de Cima, Herdade Grande, Ribafreixo, Adega Cooperativa da Vidigueira, Quinta do Quetzal, Quinta do Paral, Herdade do Rocim, Herdade do Sobroso, Herdade dos Machados, Paço do Conde, Figueirinha, Herdade da Mingorra e muito mais! E já que está a pensar vir até cá, pense em aprender sobre o Vinho de Talha, que por cá se faz desde o tempo dos Romanos. Tire 1 Dia para conhecer a sua história no Centro Interpretativo do Vinho de Talha (Vila de Frades) e saborear o dito, aconselho a Casa das Talhas (ACV) na Vidigueira e em Vila de Frades a Honrado na sua Cella Vineria Antiqua, a ACV – Vinho de Talha, a Adega do Mestre Daniel (Projecto Talhas XXVI) em Vila Alva ou na Quinta da Pigarça na Cuba. Depois, passe nas Ruínas Romanas de S.Cucufate, no Convento de Nossa Senhora das Relíquias do Carmo da Vidigueira , na Casa-Museu Quinta da Esperança, há mesmo muito para descobrir este Natal, no Ano Novo, ou quando quiser. E não se esqueça dos verdadeiros Vinhos de Pias, não desses que encontra em BaginBox no Supermercado, mas os genuínos, apenas produzidos pela Família Margaça e, já agora, se é para fazer o gosto ao dente, almoce no Adro em Pias, um dos meus espaços de restauração favoritos, a par de muitos aqui na zona, que também aconselho – O Vermelhudo, O Molho, Retiro do Ernesto - em Moura, O Alentejano e o Molhó Bico em Serpa, a Adega País das Uvas e o Restaurante da Quinta do Quetzal em Vila de Frades, ou no fantástico Dom Dinis em Beja. Mas, se procura ainda outro tipo de ofertas, porque não considerar um Passeio de Barco no Grande Lago com a AlquevaTours, uma Aventura de Canoagem com a AlentejoBreak, um Jeep-Safari a partir do Museu do Medronho, um Passeio de Balão com a Emotion, ou um Workshop de Prova de Vinhos com a Burrico D´Orada. Vê, tem mesmo muito para fazer por estes lados!... Até pode ir adquirindo uns Vouchers de Oferta de Experiências, é sempre algo que ninguém espera 😉. E se lhe falta inspiração, procure saber e dar a conhecer os pequenos Tesouros do Artesanato Local desta Região, produtos feitos à Mão e que de forma tão genuína e cuidada, procuram preservar o Saber de Gerações passadas e divulgá-las no presente e no futuro. Peças Decorativas em Cortiça, em Buinho, Mobiliário em Madeira de Ferreira do Alentejo, Cestaria, Calçado Artesanal, a Olaria de Beringel, as Mantas Alentejanas em Lã, coloridas e únicas. Se querem ter mais informações, por favor visitem https://cm-beja.pt/pt/2244/artesanato.aspx , descubram alguns deste artigos no pequeno Comércio em Serpa, Moura, Vidigueira, Beja, Cuba, Beringel, os Artesãos agradecem a vossa ajuda. E claro, se vier mesmo, não deixe de visitar mesmo os concelhos de Barrancos, Moura, Serpa, Vidigueira, Cuba, Alvito, Beja, Mértola, Almodôvar, Aljustrel, Ferreira do Alentejo, Castro Verde e Ourique, todos eles parte integrante do nosso Baixo-Alentejo! Podia continuar a enumerar diversos motivos para virem descobrir o Baixo-Alentejo interior e tornar o vosso Natal diferente, mais rico em História, Gastronomia, Cultura, mas apenas deixo para todos os vós um pedido: _ Neste Natal e mesmo no Ano Novo, comprem Local, ajudem o pequeno Comércio, os Pequenos Empresários e Artesãos, comprem Portugal. Todos nós agradecemos. Afinal, ao adquirir Produtos, Estadias, Experiências (Locais), está também a ajudar a manter o sustento de muitas Famílias, de toda uma Comunidade, porque o interior, precisa mesmo muito de Si, hoje e sempre. Muito grata. Bem hajam. Esperamos por vocês, no Baixo-Alentejo. Rita Valadas #rtvaladas #burricodorada #alentejo #baixo-alentejo #vinhosdoalentejo #azeitedoalentejo #lugaresdorio #serpa #moura #vidigueira #viladefrades #beja #vilaalva #cuba #natalnoalentejo #anonovonoalentejo #anonovo #comerciolocal #artesanatodoalentejo #melhoralentejo #alentejolovers #fique_emportugal #compreportugal #cimbal #compreoqueénosso #alojamentolocal #turismorural #porcopreto #vinhosdetalha #artesanatodoalentejo #gastronomiadoAlentejo #cleanandsafe #turismodoalentejo #visitalentejo #turismodeportugal #slowlivng #slowtourism #slowfood #juntospelomundorural
- Alentejo feito Casa
Caros Amigos e futuros Hóspedes, Num ano tão cheio de surpresas, paragens, mudanças e transformações, chegou a hora de fechar a porta ao que já não faz bater o coração. Depois de mais de 4 anos de Caminhada, descobrem-se novos horizontes e abrimos novas janelas. Despimos roupas que não nos deixavam andar e reconstruímos pedra sobre pedra a semente que preconiza um nascimento de um sonho de menina. Deixam-se para trás caminhos de velhas melodias e reajustamos o foco na Luz de novas batalhas, iniciamos aprendizagens necessárias ao nosso crescimento. A vida não por ser contida, nem restrita a um quotidiano de rotinas, sobeja entre as nossas mãos e pede para ousarmos e levantar asas para novos destinos. Não é fácil, como nunca é o desapego ao conforto, ao que é seguro, expectável. Dói a mudança. Arrancar as raízes dos últimos 12 anos e fincá-las com coragem e bravura num lugar que nos é longínquo, mas tão estranhamente, perto no coração. Fizeram-se tantas tentativas para conseguir ter um trabalho constante, fluído, recompensador, mas por vezes descobrimos que por mais que tentemos, nada evolui, quando a Missão não é aquela a que te propuseste. Investes, dás de ti, mais do que imaginas, mais do que podes até, e NADA. E se não adianta nadar contra a corrente, então é tempo de rumar a Sul. 4 Anos depois de iniciada a travessia, visualizamos agora o destino. Ainda que incompleto, ainda que falte terminar a sua transformação , daqui a algumas semanas, estaremos prontos a receber de braços abertos os nossos primeiros Hóspedes, nas nossas 3 Casas de Campo no Baixo-Alentejo, com Amor, Gratidão e Alegria. Assim, ontem, depois de tantas viagens entre Lisboa e o Monte do Carvalhal, replantei as minhas raízes num novo chão. Fechou-se um ciclo e abre-se outro, ciente do sacrifício e das muitas exigências que desde há muito a vida me tem pedido. Recalcular as necessidades, fazer contas, muitas, e ajustar as medidas, usar de muita imaginação e acomodar os últimos anos de vida num espaço de 1 quarto e numa sala c/ cozinha, com 3 gatos e o peso às costas de tantas responsabilidades, nesta Era de Covid-19...Rio-me da criatividade de conseguir re-inventar espaços onde eles não existem e colocar livros, roupa, louça, computador, móveis no que antes foi a casa dos meus Avós – Afinal, conseguimos viver com pouco. Até porque depois de alguns anos sem comprar roupa, nem sapatos, entendemos que nada é mais essencial que a Saúde, a Amizade Verdadeira e o Amor. Reciclámos toda uma vida em 3 casas T2 e o nosso modesto espaço, colocamos muito de nós - Amor e verdadeira Doçura e Autenticidade nos lugares que foram edificados para receber quem nos visitar. Ainda não estão prontos, mas quase...Sim, falta a piscina, o jardim, os caminhos desenhados, mas sem dúvida que não temos falta de lugares acolhedores, Oliveiras, Figueiras, uma terra vermelha de aroma quente, segurança, tranquilidade, natureza, hospitalidade, sol e um céu de um imenso azul, que nos cobre com um manto infinito de estrelas e nos aconchega o sono, com a promessa de sonhos de encantar. Assim é o interior do Baixo-Alentejo, uma janela de pequenos Tesouros, que nos enchem o coração e nos trazem Alegria. Vinhos, Azeites, Queijos, Enchidos, Ervas-Aromáticas, Noites de Silêncio e Calmaria, Olival, Borregos, Ruínas Romanas, o Rio Guadiana, Barrancos, Moura, Serpa, Pias, Pedrogão, Vidigueira, Vila de Frades, Vila Alva & Vila Ruiva, Cuba, Ferreira do Alentejo, Beja, Castro Verde, Almodôvar, Aljustrel, Ourique, uma Gastronomia Aromática - as Açordas, as Migas, o Gaspacho, o Arroz de Lebre, o cozido de Grão, as Sopas de Baldroegas com Queijo, os Doces de longa Tradição - o Porquinho-Doce, as Popias, as Costas, os Bolos-Folhados, os Queijinhos de Hóstia, as Túberas, os Borrachos, as Talhadinhas, o Bolo-Chibo, o Bolo de Amêndoa, as Cavacas...Tanto por descobrir, tanto por desvendar, num universo que agora também é o meu e que tanto acarinho no coração, aqui, neste cantinho do Céu, que vos espera com grande Alegria e ao qual chamo de CASA. Homenagem ao Alentejo Página Planície como página este é o chão que procurava silêncio feito asa quase pão quase palavra Para ser canto Para ser casa. Poemas de Manuel Alegre, em "Alentejo e Ninguém", 1996 Bem-hajam, Rita, 4 de Agosto 2020 - Monte do Carvalhal











