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A fechar a porta a 2021 e a abrir os braços a 2022



Quase a chegar ao final deste ano, não podia deixar de pensar sobre o tanto que vivi estes últimos 12 meses.

A Pandemia, já sobejamente falada, deixa em todos marcas, vestígios, cicatrizes, feridas, muitas ainda por curar, na pele e na Alma - medos, desgostos, perdas, surpresas amargas, que tentamos compreender e mesmo aceitar, com a nossa finita condição de meros mortais, mas também de Seres em constante Evolução e Aprendizagem.

Com 1 ano e meio de vivência e de chão no Baixo-Alentejo interior, hoje, ao fechar os olhos por breves instantes e ao ouvir o coração a falar sobre o que sente e o que aprendeu durante esta etapa, quer-me parecer que terá sido até hoje o ano de maior mudança na minha ainda jovem vida.

Desde abrir um negócio de Alojamento Local em meio-rural em plena pandemia, de avançar aos soluços, entre encerrar, voltar a abrir, redefinir estratégias e objetivos a cada semana, inventar soluções para pagar contas, viver um Verão ainda sem a dita Piscina/Tanque, porque o dito não cai do céu e porque tudo fazemos para evitar dívidas…Deixar de ter um salário desde há já vários anos, para desenvolver um negócio pessoal, ainda sem ganhos pessoais, investir o que se tem numa região que queres ver crescer, perceber que tens que deixar a tua vida antiga toda para trás e começar de novo…

Os recomeços são duros, doem, machucam o coração e deixam muitas vezes as mãos vazias daquilo que tinhas por garantido e que descobres não ser para ti. O passado já não me pertence, aprendo a caminhar sozinha depois de muitos anos acompanhada, caio, levanto-me, falo comigo própria, com os meus gatos, com as Árvores e os Pássaros aqui no Monte, choro, canto, grito coisas sem sentido, mas rio também de mim própria e surpreendo-me pela minha Coragem de conseguir, ainda assim, de avançar aos bocadinhos, sim ainda de bolsos vazios, mas de coração cheio, de Gratidão.


Uma grande e querida Amiga minha, diz-me que sou uma “Guerreira”, e eu quero acreditar que sim, que tenho 46 anos e que acredito que todos nós podemos mudar e caminhar mais em sintonia com a nossa Missão, quando sentirmos que é tempo, de partir em direção, a nós próprios.

Ninguém diz que é fácil, queremos muitas vezes fechar a porta e até desistir, porque isto de viver no interior de Portugal, é romântico, é bonito, mas isso, é uma pequena parte. Os pequenos empresários, têm passado por um caminho muito acidentado, particularmente estes últimos quase 2 anos. Muitos fecharam a porta e outros, tiveram mesmo que se reinventar. Hoje acredito que não vale apena fazer grandes planos, nem criar muitas expectativas, o que tenho agora e o momento presente, será com toda a certeza muito diferente daqui a alguns meses…

O mais importante é mesmo valorizarmos as pequenas conquistas que vamos realizando, os momentos, as pessoas que acreditam em nós e nos acarinham e puxam por nós, as coisas que nos deixam felizes e jamais deixar de acreditar e de visualizar os nossos sonhos…


No espaço de mais de 1 ano, recebi e falei com pessoas extraordinárias aqui no Monte, muitas delas tendo ocupado um lugar no meu coração, preparei Pequenos Almoços, Jantares ao Luar, Ceias, Almoços com Hóspedes que se tornaram Amigos, experimentei a Gastronomia Coreana, fiz e desfiz camas, limpei casas de alto a baixo, fiz dezenas e dezenas de máquinas e estendais de roupa, decorei espaços vazios, recuperei mobílias, limpei mato e erva, desburriquei Oliveiras, cortei lenha, transportei caliços e pedras, preguei quadros e placas, pintei cadeiras, plantei novas árvores e arbustos, apanhei legumes, batatas, cebolas, azeitona, fiz Formação On-Line, fiz de Pasteleira, Contabilista, Sales&Marketing Manager, Dir.Compras, Manutenção, Motorista, concluí o I Nível de um novo Idioma, “desenferrujei” o meu Francês, conheci e degustei novos Vinhos de Produtores únicos nesta região, sentei-me muita vezes a apreciar o pôr do sol, as estrelas deste céu Alentejano, chorei sozinha, chorei e ri com os Amigos do peito, reguei horas a fio com headphones a ouvir K-POP e a dançar, apanhei várias “molhas” nas trovoadas de Verão, descobri uma nova Paixão - pela Música e Séries Coreanos e alguns Países Asiáticos. Sim, fui também verdadeiramente feliz neste ano que passou. E, percebo, que posso, consigo e quero continuar a aprender, todos os dias da minha vida, quero também conhecer o Mundo para além deste meu Cantinho abençoado.

O Caminho é para continuar, a desbravar terreno, a trabalhar, a desenvolver novos projectos, porque tenho Saúde para tal, Graças a Deus, a conhecer pessoas que me falem com coração e ao coração, a acreditar nesta região que me acolheu, a partilhar momentos bonitos com queridos Amigos e Hóspedes, a colaborar através dos que trabalham com a Burrico D´Orada e até a pensar que o Aeroporto de Beja e a Ferrovia serão um dia uma realidade e uma vantagem para o desenvolvimento deste interior, que tanto precisa de mais envolvimento de todos e de menos política, menos interesses egoístas e menos “quintinhas”.

Desejo a todos um Ano de 2022 pleno de coisas POSITIVAS:

Caminhar com um Sorriso no Coração e no Olhar,

Acreditar nos nossos Sonhos,

Sermos mais Unidos na Partilha, na Sinergia, na Transparência,

Mais Autênticos nos Gestos, nas Palavras, na Amizade, no Amor.

Porque afinal, Ninguém caminha Sozinho e a Vida é AGORA.



Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro, amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver.

Dalai Lama

마음이 말하는 행복 Felicidade é-Happiness is https://www.youtube.com/watch?v=3TtmRm7Z1CU

Bem hajam,

Um beijinho,

Rita Valadas #burricodorada #rtvaladas

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